As histórias nos envolvem. A não ser que o objetivo de seu criador seja outro, as boas histórias, sejam elas contadas em livros, cinema ou TV, nos envolvem.
Não é que elas nos fazem esquecer da realidade, como afirmou a toda-poderosa Oprah Winfrey ao apresentar a categoria de melhor documentário no Oscar deste ano. Segundo ela, enquanto os filmes de ficção nos fazem sair do mundo que vivemos, os documentários jogam as mazelas nas nossas caras. Ora, é preciso ser um pouco alienado para acreditar nisso. A ficção não é necessariamente uma válvula de escape. E os documentários não deixam de contar as suas histórias. E eles são bons quando nos fazem entrar nas narrativas que propõem. Estar imerso em uma história não é fugir da realidade. Ás vezes, é se envolver em uma outra realidade. Seja ela exposta através de ficção ou documentário.
Porém, imersão total nas histórias cinematográficas se tornou uma missão quase impossível. Celulares, pacotes de alumínio, público mal-educado que conversa, comenta, namora, beija e esquece dos outros são apenas alguns problemas externos.
O pior é quando o clima é interrompido pelo próprio filme. Provavelmente você já se deparou com a marca de algum produto estampado na tela grande. Sim, existe uma propaganda no meio do filme e ela te fez sair completamente do processo de imersão que se iniciou há alguns minutos.
Não sou contra a inserção de publicidade nas obras. É até saudável para pensarmos em um mercado cinematográfico brasileiro, em uma indústria de filmes de qualidade, que cada vez mais se torna necessária. Mas o mínimo esperado é essa publicidade não prejudicar a experiência cinematográfica, não fazer o público sair da história para prestar atenção na marca. Uma propaganda deveria fluir com a narrativa. Além de respeitar o público, certamente traz mais resultados.
Por isso, fico satisfeito ao ler à seguinte matéria do Estadão, escrita por Alexandre Rodrigues:
Dois adolescentes recorrem a uma garrafa de Coca-Cola para turbinar sua performance num, digamos, curioso campeonato de arrotos. A cena combina com o cotidiano de qualquer garoto, mas não parece o roteiro ideal de uma propaganda de refrigerante. No entanto, fez sucesso no cinema, cada vez mais interessado em incluir publicidade no cotidiano de seus personagens.
Com a explosão de bilheteria do cinema nacional, que coleciona sucessos como Tropa de Elite 2 e seus mais de 1,2 milhão de espectadores, a publicidade busca mais espaço nas telas. Além dos comerciais entre trailers, aproveita janelas nos roteiros para inserir marcas e produtos no meio dos filmes.
Com o aumento do volume e do público de produções nacionais, o publicitário Antonio Jorge Pinheiro, dono da consultoria carioca Mídia 1, resolveu criar uma área específica só para pensar ações do gênero. Nada mais do que o velho "merchandising".
A Mídia 1 está por trás do campeonato de arrotos protagonizada no cinema por dois personagens do filme Desenrola, de Rosane Svartman. O filme levou mais de 300 mil espectadores ao cinema neste verão, a maioria adolescentes como os personagens do longa que conta a história de uma jovem de 16 anos que se vê sozinha em casa pela primeira vez. As cenas deixaram espaço para muitos produtos voltados para esse público.
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