27 de abr. de 2011

Um projeto e quatro links | Ballerina Project

Alguém teve a ideia de fotografar bailarinas em diversos cenários urbanos, como um projeto colaborativo de dança, moda, design e fotografia.

Nasceu o Ballerina Project, que descobri via Revista Galileu de maio.

Os quatro links

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Animação brasileira e mercado: qual é o cenário?

As discussões sobre a animação como um lucrativo negócio estão em alta como nunca. Hoje, no jornal "Valor Econômico", foi publicada uma grande reportagem sobre o tema. Intitulada "Produzir desenho animado no Brasil não é mais aventura" (acesso para assinantes), a matéria, escrita por Moacir Drska, discorre sobre iniciativas que fortaleceram e ainda fortalecem o mercado.



Uma das razões do mercado "quente", segundo a matéria, é o bem-sucedido trajeto de apostas animadas na TV por assinatura. O pioneirismo de Peixonauta, da TV Pinguim; Princesas do Mar, da Flamma Films; Escola para Cachorro, da Mixer; e Meu Amigãozão, da 2D Lab; e dos canais pagos onde são exibidos, Discovery Kids e Nickelodeon, provou a capacidade nacional de produzir séries animadas de qualidade e competitivas em termos de audiência. Tão competitivos que alguns deles já migraram para a TV aberta. Na semana passada, o SBT anunciou a aquisição dos direitos de exibição de Peixonauta. A Globo irá exibir a série de animação do Sítio do Picapau Amarelo, produzido pela Mixer.

Mas esse sucesso não poderia ser um fenômeno isolado. Era preciso incentivá-lo e fortalecê-lo. Daí nasceram uma série de iniciativas. Uma delas, já de conhecimento de muita gente, são os mecanismos do governo para o incentivo à animação. O AnimaTV é um. No último ano, destinou quase 4 milhões para a produção de 17 pilotos de série animada. Duas, Tromba-Trem, da Copa Studio, e Carrapatos e Catapultas, da Zoom Elefante, tiveram suas temporadas completas produzidas (aqui , os dias e horários que serão exibidos na TV Brasil e na TV Cultura). 



Outro mecanismo aparece com o Banco Nacional de Desenvolvimento, o BNDES. A segunda temporada de "Escola para Cachorros" teve 3,5 milhões de seu orçamento oriundos do banco, através do Procult, Programa BNDES para Desenvolvimento da Economia da Cultura. Segundo Drska, 15 projetos receberam 8,2 milhões do banco.

 No caso de "Escola para Cachorro",o fato da Mixer ter uma parceria de co-produção com a canadense Cité-Amerique foi visto pelo BNDES como uma segurança do potencial de vendas no mercado externo. O que nos leva à outra iniciativa listada na matéria do Valor: as parcerias fora do país. O alto custo das animações é uma das razões para a procura de co-produções internacionais. Segundo a declaração do diretor da Mixer ao Valor, é um sistema adotado em vários países, exceto aqueles onde o mercado de animação já é forte (leia-se Estados Unidos e Japão).



No caso de parcerias existem duas opções: uma é a prestação de serviços e o outro é o investimento de propriedade intelectual. O segundo caso se torna mais interessante devido ao possível ganho com outros produtos relacionados à animação. A TV Pinguim já tem uma série de produtos licenciados, adaptações para internet, livros, cinema, tablets, celulares, teatro. Também é o caso da Mixer e da Flamma Films e seus projetos. Nem preciso comentar o capital gerado pela animação da Turma da Mônica e seus outros produtos licenciados. Segundo o Valor, o licenciamento é a fonte de renda MAIS ATRATIVA do mercado de animação. Afinal, o poder de transmedia storytelling da animação, ou seja, histórias diferentes, os mesmos personagens, contadas em diversas mídias, resulta em um ciclo de vida maior em relação à outras soluções audiovisuais.

Originalmente publicado no blog Animação Brasileira

26 de abr. de 2011

A trilogia Millenium e a obsessão da narrativa americana por nobres heróis

Män som hatar kvinnor, Flickan som lekte med elden e Luftslottet som sprängdes são os títulos originais dos livros da Trilogia Millenium, escrito pelo falecido Stieg Larsson. No Brasil, foram batizados pela Companhia das Letras como Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, A Menina Que Brincava com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar. Traduções quase fiéis. Há um pequeno desvio da fidelidade no terceiro livro, apenas. Literalmente, o nome sueco significa algo como "O castelo que ruiu".

Nada comparado aos nomes escolhidos para as edições em língua inglesa da trilogia: The Girl With the Dragon Tatoo (A Garota com a Tatuagem de Dragão), The Girl Who Played With Fire (A Garota que Brincava com Fogo) e The Girl Who Kicked the Hornes´s Nest ( algo como A Garota Que Chutou o Ninho da Vespa - eu sei que existe uma palavra melhor para substituir este 'kicked', mas, no momento, não me vem à mente).

Em um resumo muito porco, a trilogia inicia com a investigação do desaparecimento da sobrinha de um magnata por um jornalisa, Mikail Bloomkvist, e uma hacker antissocial, Lisbeth Salander. Ao longo dos três livros, os personagens são envolvidos em crimes relacionados ao tráfico de mulheres e abusos do poder. 

Quando começamos a ouvir notícias sobre o sucesso da obra de Larsson, os títulos americanos eram apresentados como originais. Como o sueco anda em falta na carga horária das escolas, tratar um livro como The Girl With The Dragon Tatoo é mais simples do que tratá-lo como Män som hatar kvinnor.

Enfim, li Os Homens Que Não Amavam as Mulheres com o The Girl With the Dragon Tattoo na cabeça. O incômodo foi inevitável. Qual era a razão para este título nas publicações para a língua inglesa? O primeiro livro não é sobre Lisbeth Salander, ela não é a protagonista isolada e muito menos a heroína. O fato de ter uma tatuagem de dragão é mencionado algumas vezes, mas não é determinante para a história.

A narrativa clássica conhece a importância de um herói, aquele personagem que podemos não concordar em relação às atitudes, mas nos identificamos e torcemos por ele. Indiana Jones, Bourne, Harry Potter, Batman e outros. No caso dos livros de Stieg Larsson, era preciso deixar claro quem era o herói.

Longe de mim me opor aos heróis. São vitais para a narrativa. Mas a escolha americana dos títulos da trilogia Millenium engana um pouco os leitores. Como disse, o propósito parece ser não deixar dúvidas da existência de alguém para os leitores torcerem. A impressão que passa, entretanto, é a de uma série de três livros separados, unidos por uma personagem protagonista, a "The Girl", que vive aventuras diferentes em cada um deles, com início, meio e fim.

Não cometa este engano. Os livros de Larsson devem ser lidos como uma obra única. O primeiro é até completo. Se você ler Os Homens Que Não Amavam as Mulheres terminará satisfeito. Você pode não gostar, mas o completará com uma percepção de início, meio e fim. Mas, ao ler A Menina Que Brincava com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar, será possível perceber que se trata de uma grande história de mais de 1500 páginas.

Larsson deveria saber que vender um livro de 1500 páginas seria como exibir um filme de 7 horas no cinema. E devia conhecer a necessidade de uma boa impressão da estréia para a aprovação de uma possível segunda parte. Lançar o primeiro livro apenas como o trecho de uma grande aventura seria arriscado. Poderia ser visto como um trabalho sem finalidade ou objetivo. Quando Larsson escreve Os Homens Que Não Amavam as Mulheres como uma obra completa, ele dá a satisfação de jornada completa aos seus leitores. Mas, ao escrevê-la, parece ter sempre em mente que se trata de um trabalho maior.

Talvez, pela percepção errada, me incomodei tanto com o segundo livro, A Menina Que Brincava com Fogo. Parecia que ia do nada para lugar nenhum. Mas, na verdade, era o meio de uma enorme história.

Lisbeth Salander é sim a heroína - da trilogia inteira, não de um ou outro livro - mas não no sentido que o título em inglês tenta nos fazer pensar. Não é a mulher destemida que resolve todos os problemas, não é guiada por ideais altruístas, tem atitudes bem duvidosas e questionáveis. É apenas uma personagem que se vê no centro de uma intrincada teia e quer que parem de encher o seu saco. E, sem pedir, acaba recebendo a ajuda de um bocado de gente.

A Trilogia Milleniun é um policial de primeira. Mas, apenas se os três livros forem analisados como uma obra única. E não se trata aqui de um "As Aventuras de Lisbeth Salander". Talvez, Os Homens Que Não Amavam as Mulheres é a melhor forma de nomear a obra completa. Porque, no fim das contas, é uma trilogia sobre a mulher. A forma como ela é percebida em oposição à sua capacidade real.

25 de abr. de 2011

Dramaturgia em série de animação


Animação não é só a técnica pura. Uma boa história e soluções técnicas que ajudam a contá-la é vital para um projeto animado.

A bibliografia sobre dramaturgia em animação sempre foi pobre no Brasil. Na última semana ficou um pouco mais rica com o lançamento do livro "Dramaturgia  de Série de Animação", escrito por Ségio Nesteriuk. 

O livro passa pela história da animação no país, técnicas e histórico da narrativa seriada (que é completamente diferente da narrativa para cinema), elementos da animação aplicados à história e alguns estudos de caso.

Não li o livro inteiro. Pela palestra de lançamento, feita pelo próprio Nesteriuk, parece ser uma obra interessante e um importante item para a bibliografia tanto de animadores quanto roteiristas. Sem contar que, no final da obra, há uma excelente lista de livros sobre o tema. 

E mais. No campo da dramaturgia não existem verdades absolutas. Existem formas mais eficazes, mas é tudo muito relativo. O livro, porém, faz parte de um projeto da AnimaTV e Nesteriuk é consultor de dramaturgia do AnimaTV. Quer dizer, provavelmente, é a dramaturgia que o programa do governo que estimula o desenvolvimento do mercado da animação espera. 

"Dramaturgia em Série de Animação" está disponível em Creative Commons. É só clicar aqui embaixo:




Publicado originalmente no blog Animação Brasileira

7 de abr. de 2011

Os ditadores e a internet

O Repórter Sem Fronteiras é uma ONG com o objetivo de defender a liberdade de imprensa no mundo. Para divulgar o Twitter do braço espanhol da organização, a agência Saatchi & Saatchi criou uma campanha que, apesar de lembrar muito um outro projeto, não deixa de ser interessante.

Com o slogan "o meio muda, a verdade continua", a campanha apresenta imagens de três ditadores bem conhecidos pela falta de apreço à liberdade de imprensa. Porém, nelas, Kadaffi, Mugabe e Ahmadinejad foram atingidos pelos excrementos de um inoportuno passarinho.





Para quem ainda não captou a ideia, reparem  na logo do Twitter, no canto superior das peças acima.

É inevitável lembrar da campanha de uma outra organização, a Sociedade Internacional de Direitos Humanos. Lançada há mais tempo, mostra ditadores acuados por um mouse. Põe  a internet como um meio extremamente poderoso, capaz de amedrontar ditadores ou até mesmo derrubar governos.



O papel da rede como libertadora de países opressores foi muito discutido com o levante tunisiano, egípcio e líbio. Egveny Morozov, autor de The Net Delusion: The Dark Side of Internet Freedom foi especialmente abordado pela imprensa brasileira sobre o assunto. Cheguei a ler entrevistas de Morozov em, pelo menos, quatro publicações nacionais. Segundo ele, não foi o Facebook a grande razão da ruína dos regimes ditatoriais árabes. Foi consequência de insatisfações reais. No caso do Egito e na Tunísia, a rede auxiliou na organização dos protestos. Já na Líbia não parece ter um papel relevante. E Morozov lembra: ditadores também tem acesso à web e usam para a opressão.

Apesar de parecida, a campanha da Saatchi parece ter um ângulo. É mais discreta. Não afirma que o Repórter Sem Fronteiras pode de derrubar governos.Mas continuará incomodando os ditadores. Sendo uma pedra no sapato. Ou, no caso, uma mancha de cocô em impecáveis ternos.